Nas noites de insônia o que ocorre é justamente o oposto disso. Mesmo que o corpo esteja exausto, a mente acelerada desencoraja o sono. Normalmente começa com uma pequena ansiedade. Depois o pensamento vai ganhando vida própria e o sono vira o seu grande refém. Os olhos já não têm mais paciência para se manterem fechados em vão por muito tempo. O controle está perdido pelo resto da noite.
A madrugada avança, a ansiedade vai passando para o segundo plano, e a grande vilã a essa altura passa a ser a preocupação com a insônia. Sua maior arma é o relógio. É irresistível olhar para o relógio de meia em meia hora. Cada mexida no ponteiro desespera mais a mente, que se compadece pela exaustão do corpo. É um ciclo vicioso, em que o próprio desespero com o tempo de sono perdido agrava a dificuldade de dormir. Pior ainda tendo que acordar cedo no dia seguinte. Pior ainda tendo que acordar cedo para fazer prova no dia seguinte. Pior ainda se essa prova for de vestibular.
Na véspera da segunda fase do meu vestibular pra UERJ, tive uma insônia sem vergonha. Já passava das cinco da manhã quando minha irmã chegou em casa de uma festa. Eu estava sentada na mesa da copa, como se a estivesse esperando. Ela se admirou. “Ainda acordada?”. Eu expliquei que não tinha conseguido dormir e que em menos de duas horas eu já deveria estar acordando para fazer prova. Minha irmã, que sempre teve muito problema com insônia, era a pessoa ideal para aparecer naquele momento. Ela saberia me entender, me apoiar e tomar o controle da situação. Desde que não estivesse bêbada, é claro, e não tivesse confundido o sachê de chá de camomila com o de chá preto, que é cheio de cafeína. Mas eu tomei aquele pseudo chá de camomila como se fosse um remédio tarja preta que me faria cair dura no mesmo momento. E foi isso que aconteceu. Meus olhos logo foram se fechando e eu pude descansar um pouquinho antes da prova. Tudo psicológico, porque de calmante aquele chá não tinha nada.
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